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Escândalos em Ribeira (SP): Vice-Prefeita Afastada por Suspeita de Desvio e ‘Servidora Fantasma’

A cidade de Ribeira, no interior de São Paulo, tem sido palco de intensas discussões após o afastamento da vice-prefeita Juliana Maria (MDB) por graves acusações do Ministério Público. Os escândalos que abalam a gestão municipal envolvem desde a suspeita de contratação de uma 'servidora fantasma' até o polêmico desvio de verbas públicas para supostos serviços de 'amarração amorosa'. A situação coloca em xeque a transparência e a ética na administração, levantando sérios questionamentos sobre o uso de recursos dos cidadãos.

O Enigma da 'Servidora Fantasma' em Ribeira

Uma das principais denúncias contra a vice-prefeita Juliana Maria diz respeito à contratação de uma jovem, então com apenas 17 anos e ensino médio completo, para o cargo de técnica de informática. Conforme as investigações, a suposta funcionária, que não possuía formação específica na área, teria desempenhado apenas tarefas básicas de apoio, como digitação e instalação de programas, auxiliando seu próprio pai, que era servidor municipal. O mais intrigante é que os pagamentos à jovem, que totalizaram cerca de R$ 30 mil, teriam se estendido por meses além do período de trabalho efetivo, mesmo após o término de suas atividades em dezembro de 2024, com valores sendo creditados até maio de 2025.

Contratação Sob Suspeita

A forma como a contratação ocorreu levanta ainda mais questionamentos. A jovem foi admitida diretamente pelo prefeito Ari do Carmo (PSD) em um período em que seu pai ocupava interinamente a Secretaria de Saúde, pasta que, normalmente, era comandada por Juliana. A vice-prefeita, inclusive, teria sugerido a contratação de alguém para auxiliar o então secretário interino, que por sua vez indicou a própria filha. O Ministério Público aponta irregularidades como a ausência de controle de ponto, de comprovação formal de presença e de documentos que atestassem os serviços prestados, caracterizando uma possível prática de improbidade administrativa e exigindo a devolução dos valores pagos.

Desvio de Verba para 'Casamento Espiritual' e Fraudes em Licitações

Além do caso da suposta 'servidora fantasma', Juliana Maria enfrenta acusações ainda mais chocantes. O Ministério Público denunciou que R$ 41,2 mil, provenientes da Secretaria de Saúde do município, teriam sido desviados para custear serviços de uma 'mentora espiritual'. O objetivo, de acordo com as investigações, seria promover uma 'amarração amorosa' para separar um funcionário da prefeitura de sua esposa. Este episódio se insere em um contexto mais amplo de fraudes e má gestão dos recursos públicos.

Rede de Fraudes e Peculato

As investigações revelam que o desvio para serviços espirituais é apenas uma parte de um esquema complexo. Juliana, juntamente com Lauro Olegário da Silva Filho, então coordenador municipal de Saúde, e Willian Felipe da Silva, proprietário de uma empresa de treinamentos, é acusada de participar de uma organização criminosa. O grupo teria fraudado licitações e realizado pagamentos irregulares, beneficiando a empresa de Willian. Os valores desviados da saúde, inclusive, teriam sido justificados por meio de uma nota fiscal falsa, resultando em denúncias por crimes como fraude à licitação, uso de documento falso, falsidade ideológica e peculato, além de solicitar a reparação mínima dos danos ao erário no valor de R$ 41,2 mil.

Implicações Legais e a Busca por Transparência

Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público busca a condenação dos envolvidos por improbidade administrativa e pelos crimes relacionados, exigindo a reparação integral dos danos ao erário. No caso da 'servidora fantasma', o MP pleiteia a devolução dos R$ 30 mil pagos, além de uma reforma administrativa para coibir futuras irregularidades. Os réus também respondem a um processo criminal sob segredo de Justiça, que engloba as diversas acusações.

A Posição da Defesa e a Rebatida do MP

A defesa de Juliana Maria argumenta que ela não ocupava a Secretaria de Saúde no momento da contratação da jovem e que não haveria provas de dano ao erário ou de dolo específico de sua parte. Contudo, o Ministério Público rebateu as alegações, afirmando que a vice-prefeita tinha a função de fiscalizar os contratos e pagamentos da pasta, especialmente aqueles feitos de forma direta, a uma menor de idade e sem comprovação dos serviços. Enquanto a vice-prefeita já está afastada de suas funções, a cidade aguarda por respostas e a efetivação da justiça.

Os recentes escândalos envolvendo a vice-prefeita de Ribeira (SP) acendem um alerta crucial sobre a necessidade de fiscalização rigorosa e integridade na administração pública. Desde a suspeita de pagamentos a uma 'servidora fantasma' até o chocante desvio de recursos da saúde para fins pessoais e esotéricos, as acusações corroem a confiança da população nos representantes eleitos. Enquanto os processos judiciais avançam, a sociedade espera que a verdade prevaleça e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados, garantindo que o dinheiro público seja empregado exclusivamente no bem-estar da comunidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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