Na noite que marcou o encerramento do segundo dia do 59º Festival Folclórico de Parintins, o Boi Garantido levou ao Bumbódromo um espetáculo grandioso. Com o tema "Parintins, Portal da Diversidade", a apresentação foi um verdadeiro tributo à vida, à resiliência e à rica tapeçaria cultural da Amazônia, exaltando a união de povos, costumes e conhecimentos ancestrais da região.
A Mensagem Central do Garantido: Um Portal de Conexão Amazônica
Mais do que uma performance, o Garantido desdobrou na arena um manifesto artístico vibrante, que eleva a floresta amazônica ao status de um colossal portal de conexão ancestral. Através de sua narrativa, o boi vermelho teceu histórias, ritos, lendas e mitos, reforçando a fundamental união entre todas as etnias e culturas que habitam essa vasta região.
Identidade e Natureza: O Coração da Apresentação
O enredo da noite mergulhou profundamente na identidade amazônica, explorando a intrínseca ligação com a natureza e a importância da proteção espiritual. A performance homenageou os valorosos trabalhadores tradicionais da floresta, trouxe à tona cosmologias indígenas essenciais e dramatizou embates místicos contra ameaças, sublinhando o papel crucial das culturas originárias na preservação da vida e do equilíbrio planetário.
Alegorias e Lendas que Ganham Vida
"Parintins, Portal da Diversidade": A Abertura Grandiosa
A grandiosa abertura do espetáculo foi protagonizada pela alegoria "Parintins, Portal da Diversidade", uma criação magistral do artista Mingo Cardoso e sua equipe. Essa estrutura colossal expressou a visão de que a ilha emergiu de um sopro divino de harmonia, onde a arte corre nas veias e na essência de seus moradores. A cena celebrou a tolerância e o respeito mútuo, consolidando Parintins como um verdadeiro refúgio e lar para "todos os parentes", sem qualquer tipo de distinção.
A Lenda de "Kamara": O Poder da Onça-Mãe
Dando prosseguimento à narrativa, o boi vermelho trouxe ao palco a instigante Lenda Amazônica "Kamara", concebida por Marlon Brandão e sua equipe. Baseada na rica cosmologia do povo Hexkaryana, que reside nas margens dos rios Nhamundá e Jatapu, a obra detalhou a criação do universo a partir de Yuxibu e o surgimento de Kamara, a poderosa onça-mãe espiritual. A representação da alegoria mostrou o nascimento dos primeiros seres humanos pela metamorfose de elementos como pedras e águas, reverenciando a força inabalável da onça ancestral, que se mantém como a protetora dos padrões climáticos e das intempéries.
"Coletores da Amazônia": Homenagem aos Guardiões da Floresta
O festival continuou com a impactante Figura Típica Regional "Coletores da Amazônia – Povo do Jamaxi", desenvolvida por Kemerson Guerreiro e seu time. Esta alegoria enalteceu a sabedoria ancestral de figuras como seringueiros, erveiras, peconheiros, castanheiros e agricultores, que extraem os recursos da floresta de maneira coletiva e sustentável, garantindo a preservação ambiental. A encenação foi uma emocionante homenagem a esses "doutores da preservação", evidenciando seus métodos de cultivo tradicionais em suas roças e a produção de alimentos vitais como farinha, beiju e tucupi.
"Espíritos Guardiões": O Ritual de Cura Hexkaryana
O clímax emocionante da noite foi o Ritual Indígena "Espíritos Guardiões – Ritual Hexkaryana", uma criação impactante do artista Ozéas Bentes e sua equipe. O quadro ilustrou a sofisticada função dos pajés Hexkaryana como elos entre o reino dos vivos e o domínio espiritual. No palco, o Garantido encenou o ritual de cura, onde o espírito do pajé se liberta do corpo para confrontar entidades malignas ocultas na neblina, auxiliado pelos Kaxwana – os espíritos guardiões que se manifestam como chamas incandescentes e animais sagrados, trabalhando para restabelecer a ordem e trazer a cura para toda a comunidade.
Com a grandiosidade de suas alegorias, uma mensagem ecológica poderosa e uma sólida base etnográfica, o Boi Garantido concluiu sua participação na segunda noite da disputa de 2026. O espetáculo do boi vermelho reafirmou sua visão de exaltar a Amazônia como um santuário ecológico, um solo sagrado de vasta diversidade humana, rico em saberes ancestrais e profunda conexão espiritual.
Fonte: https://g1.globo.com






