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Violência Contra Mulheres: A Face Como Alvo Principal e a Luta por Reparação

A violência contra a mulher assume diversas formas, mas há um padrão chocante e desolador que emerge de estudos recentes: a face da vítima é, na maioria das vezes, o alvo principal. Dados alarmantes revelam que entre 70% e 90% das agressões físicas sofridas por mulheres resultam em lesões no rosto, conforme apontado por pesquisas nas áreas de odontologia e medicina e destacado pela promotora de Justiça Fabíola Sucasas. Este dado não apenas expõe a brutalidade dos agressores, mas também revela uma intenção perversa de causar danos profundos à identidade e autoestima das vítimas.

A Gravidade da Violência no Rosto das Mulheres

O elevado percentual de ataques direcionados ao rosto não é aleatório; ele representa uma forma estratégica de violência. Segundo especialistas, como a pesquisadora Valeska Martins de Oliveira Brasil, o objetivo dos agressores vai além da agressão física. Há uma intenção deliberada de atingir a autoestima da mulher, de desfigurá-la e, de certa forma, de 'marcá-la' para que se sinta 'danificada' e indesejável para outros. É uma violência com uma 'pedagogia' cruel, que visa destruir a imagem da vítima e seu senso de valor.

Impacto Além da Lesão Física

As lesões faciais resultantes dessas agressões exigem muito mais do que tratamento físico. A promotora Fabíola Sucasas enfatiza que a desfiguração provoca traumas que demandam acompanhamento multidisciplinar especializado. Além da dor física, a vítima enfrenta um processo complexo de recuperação estética e, principalmente, psicológica. A marca no rosto se estende à alma, exigindo intervenções que abordem o sofrimento emocional e ajudem a reconstruir a dignidade perdida.

O Desafio da Subnotificação e o Amparo Legal

Apesar da frequência com que a violência de gênero ocorre, muitos casos permanecem invisíveis. Uma pesquisa realizada com mais de 3 mil usuárias do SUS na Grande São Paulo revelou que 76% delas já haviam sofrido algum tipo de violência. Contudo, apenas 3,8% desses casos tinham registro nos prontuários médicos. Essa subnotificação impede a dimensão real do problema e dificulta a intervenção adequada por parte das autoridades e serviços de saúde.

Direitos e Apoio para as Vítimas

Felizmente, a legislação brasileira avança no reconhecimento e proteção das vítimas. A promotora Fabíola Sucasas ressalta que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem a obrigação legal de reparar tanto o dano estético quanto o psicológico decorrente dessas lesões. Esse amparo é fundamental para garantir que as mulheres agredidas tenham acesso a tratamentos necessários para sua plena recuperação, reconhecendo a profundidade das sequelas deixadas pela violência.

Iniciativas de Apoio e Reconstrução

Em meio a esse cenário desafiador, existem iniciativas que oferecem esperança e um caminho para a reconstrução. Em São Paulo, o Instituto Novo Olhar, fundado pela médica Carla Góes, é um exemplo notável. A instituição oferece um suporte abrangente, que inclui reconstrução facial, atendimento psiquiátrico e psicológico, orientação jurídica e assistência social. Já foram mais de 435 mulheres atendidas, recebendo não apenas a recuperação física, mas também o resgate da autoestima e da possibilidade de recomeçar.

Conforme a fundadora do instituto, a recuperação do rosto é um processo que devolve às pacientes a dignidade e a oportunidade de uma nova chance na vida. É um trabalho que transcende a medicina, tocando na essência humana de cada mulher.

A violência facial contra a mulher é uma realidade cruel que exige nossa atenção e ação. Os dados mostram a intenção perversa de desfigurar e abalar a autoestima, enquanto a subnotificação esconde a verdadeira dimensão do problema. É imperativo que a sociedade continue a lutar contra essa brutalidade, garantindo que as vítimas sejam acolhidas, que seus direitos sejam respeitados e que tenham acesso a todo o suporte necessário para reconstruir suas vidas, livres do medo e das marcas da agressão.

Fonte: https://g1.globo.com

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