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Colômbia: Menos Horas, Salários Maiores e Desemprego em Queda – O Que o Brasil Pode Aprender?

Enquanto o Brasil intensifica o debate sobre a flexibilização e a redução da jornada de trabalho, um vizinho sul-americano já está em plena fase de implementação de reformas trabalhistas significativas. A Colômbia, que historicamente teve uma das jornadas de trabalho mais longas da região, embarcou em um caminho ousado: trabalhadores assalariados agora desfrutam de menos horas de expediente, acompanhadas de um aumento substancial no salário mínimo e na remuneração de adicionais noturnos. Este cenário, que à primeira vista poderia gerar apreensão no ambiente corporativo, revela um mercado de trabalho surpreendentemente resiliente, com níveis de desemprego em patamares históricos.

A Revolução Trabalhista na Colômbia: Menos Horas, Mais Rendimentos

A partir de julho, a jornada máxima de trabalho na Colômbia será de 42 horas semanais. Essa mudança representa o ápice de um processo gradual de redução, iniciado em 2021, que diminuiu seis horas da carga horária semanal ao longo de cinco anos. Esta iniciativa, aprovada ainda durante o governo de direita do ex-presidente Iván Duque, foi complementada por uma reforma trabalhista posterior, em 2025, já sob a gestão de esquerda de Gustavo Petro. Essa reforma impulsionou um aumento de 23,7% no salário mínimo nacional e expandiu o período considerado para o cálculo do adicional noturno, elevando os ganhos dos trabalhadores.

O Impacto no Setor Empresarial e as Adaptações Necessárias

Apesar dos benefícios evidentes para os empregados, as empresas colombianas relatam desafios consideráveis. Entidades empresariais indicam dificuldades para manter os planos de contratação originais devido ao aumento dos custos operacionais. Muitas precisaram se adaptar, optando por fechar estabelecimentos mais cedo, reduzir turnos noturnos e investir em automação de serviços para compensar a diminuição da produtividade por funcionário e os maiores gastos.

Uma pesquisa realizada pela Fenalco, a federação nacional de comerciantes e empresários da Colômbia, com 610 empresas, ilustra essa realidade. Os dados revelaram que 51% das empresas passaram a encerrar suas atividades mais cedo, 25% aceleraram a automação de seus processos e 23% foram compelidas a elevar os preços de seus produtos e serviços. Os setores mais impactados incluem varejo, bares, restaurantes, hotelaria e segurança privada, que tradicionalmente dependem de horários estendidos. A pesquisa também apontou que uma parcela significativa dos empresários reduziu o quadro de funcionários ou alterou planos de contratação futuros.

Economia Resiliente: Desemprego em Mínima Histórica

Contrariando as preocupações iniciais do setor empresarial, o cenário geral do mercado de trabalho colombiano surpreende positivamente. Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá, afirma que, embora tenha havido um aumento nos custos unitários por trabalhador, não foram observados efeitos negativos sobre o emprego. Pelo contrário, o emprego assalariado no setor privado continua em crescimento, e a taxa de desemprego atingiu sua mínima histórica, demonstrando a resiliência da economia local.

Uma análise da Corficolombiana, uma das maiores corporações financeiras do país, reforça que a redução da jornada de trabalho, de fato, impulsionou a contratação de novos profissionais. Estima-se que cerca de 787 mil novos trabalhadores foram empregados entre 2022 e 2025 apenas para compensar a diminuição das horas trabalhadas por indivíduo. No entanto, a mesma análise aponta uma queda na produtividade geral, uma vez que a mesma quantidade de trabalho agora é distribuída entre mais pessoas, o que pode indicar uma menor eficiência econômica.

Lições para o Brasil: Gradualidade e Flexibilidade

A experiência colombiana oferece insights valiosos para o Brasil, que debate a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1. Uma das principais diferenças entre os dois países reside na flexibilidade: a Colômbia não impôs a obrigatoriedade de duas folgas semanais fixas, como se discute no Brasil. Além disso, o professor Stefano Farné destaca a importância da gradualidade. A implementação da reforma colombiana em um período de cinco anos permitiu que empresas e trabalhadores se adaptassem de forma progressiva, suavizando os impactos e facilitando a transição.

Essa abordagem cautelosa pode ser uma chave para evitar choques no mercado, permitindo que as empresas reestruturem suas operações e os trabalhadores ajustem-se às novas condições sem grandes rupturas. A Colômbia demonstra que é possível avançar em pautas trabalhistas consideradas progressistas, mantendo a economia dinâmica e o nível de emprego aquecido, desde que a transição seja bem planejada e executada.

Conclusão: Um Olhar Complexo sobre a Modernização do Trabalho

O experimento colombiano na modernização das leis trabalhistas revela uma complexidade de resultados. Por um lado, houve um aumento nos custos operacionais para as empresas e uma possível diminuição na produtividade por trabalhador. Por outro lado, a Colômbia conseguiu não apenas manter, mas também expandir o emprego formal, culminando em uma taxa de desemprego historicamente baixa e maior poder de compra para seus cidadãos. Este caso se torna um estudo de grande relevância, oferecendo uma perspectiva multifacetada sobre os desafios e as oportunidades que a redução da jornada de trabalho e o aumento dos salários podem trazer para as economias em desenvolvimento, especialmente para o Brasil, que busca seu próprio caminho nesse debate.

Fonte: https://g1.globo.com

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