O coração da Amazônia pulsou forte no Bumbódromo de Parintins, que se tornou palco de uma disputa cultural eletrizante. O 59º Festival Folclórico de Parintins atingiu seu clímax neste domingo (28), com a terceira e última noite de apresentações. Após dias intensos de preparação e duas noites de espetáculos memoráveis, os bois Caprichoso e Garantido entraram na arena para seus atos finais, cada um buscando conquistar o título de campeão de 2026 e consagrar-se na rica tradição da ilha.
Caprichoso em Cena: A Narrativa da Resistência Ancestral
O Boi Caprichoso foi o primeiro a se apresentar, trazendo para o público o espetáculo intitulado <b>“O Brinquedo da Resistência”</b>. Este foi o terceiro e impactante ato do projeto artístico 'Brinquedo que Canta seu Chão', uma celebração profunda das raízes do boi-bumbá. A performance azulada mergulhou nas origens da manifestação cultural, exaltando a riqueza da cultura popular e a sabedoria milenar dos povos indígenas da Amazônia, com alegorias grandiosas e personagens que contavam histórias de tempos imemoriais.
Detalhes que Marcaram a Apresentação Azulada
A emoção tomou conta quando o Amo do Boi, Caetano Medeiros, declamou versos que reverenciavam a essência do Caprichoso. Marciele Albuquerque e a porta-estandarte Marcela Marialva brilharam em suas performances, enquanto Patrick Araújo e o Boi Caprichoso, em um momento de pura sinergia, arrancaram aplausos fervorosos da torcida azulada. A Rainha do Folclore, Cleise Simas, encantou com sua performance. Uma das alegorias mais notáveis, <b>'O Auto do Boi Brasileiro'</b>, resgatou a gênese da brincadeira do boi, com Caetano Medeiros liderando a encenação. A talentosa Valentina Cid, ao som da toada 'Leveza de Sinhá', tocou violino e interagiu com o boi, criando um instante mágico. A apresentação também explorou a cosmologia do povo Xikrin, com uma alegoria que retratava a jornada do xamã em busca de conhecimento e equilíbrio, simbolizando a conexão entre humanidade, natureza e o sobrenatural, com o Pajé Erick Beltrão representando a força espiritual.
Garantido Despede-se com o Encantamento da Terra Amazônica
Na sequência, o Boi Garantido trouxe para o Bumbódromo seu espetáculo de encerramento, <b>“Parintins, Terra Encantada”</b>, o último ato do projeto artístico 'Parintins – Portal do Encantamento'. A celebração vermelha e branca foi uma homenagem vibrante às lendas amazônicas, à forte religiosidade popular e às tradições que moldam a identidade cultural singular da ilha de Parintins. Com uma explosão de cores e ritmos, o Garantido fechou o festival, deixando uma impressão duradoura no coração de seus torcedores.
Momentos Inesquecíveis da Noite Vermelha e Branca
O apresentador Israel Paulain fez uma entrada triunfal, surgindo de dentro de um coração, simbolizando a paixão do Garantido. A arena prestou uma emocionante homenagem a <b>'Mestre Coronel'</b>, vaqueiro com 50 anos de dedicação ao boi. A porta-estandarte Jevenny Mendonça foi destaque, vindo em uma alegoria imponente de uma grande sucuri. O renomado David Assayag soltou a voz com a toada 'Perrecheiro', concorrendo ao cobiçado item 11 (Toada, Letra e Música). A figura típica <b>'Festeiro de Santo'</b>, interpretada por Denildo Teixeira, celebrou a devoção do catolicismo popular na região amazônica. Isabelle Nogueira, em um de seus momentos mais marcantes, transformou-se na Deusa Sol, irradiando energia e beleza. O rito <b>'A Travessia das Cinzas'</b>, do artista Netto Barbosa, explorou as práticas fúnebres e a visão de transição cósmica da antiga civilização Konduri. O festival também marcou a emocionante despedida de Isabelle Nogueira do item Cunhã Poranga do Boi Garantido, anunciando sua aposentadoria do cargo. O Boi Garantido encerrou sua participação com o tradicional e simbólico 'banho de cheiro', purificando a arena e o público.
Um Festival de Emoções e Tradições Vivas
A última noite do Festival de Parintins 2026 reforçou a grandiosidade e a riqueza cultural desse evento único. Caprichoso e Garantido entregaram espetáculos que transcendem a competição, sendo verdadeiras declarações de amor à cultura amazônica, suas lendas, seus povos e suas tradições. Cada alegoria, cada toada, cada dança, cada personagem é um elo com a história e a identidade de uma região. Com a arena do Bumbódromo cheia de energia e paixão, Parintins mais uma vez celebrou a vibrante disputa dos bumbás, deixando no ar a expectativa pelo resultado e a certeza de que a cultura popular amazônica continua mais viva do que nunca.
Fonte: https://g1.globo.com






