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Tragédia na Venezuela: Hotel com Deportados dos EUA Desaba Após Terremoto, Deixando Mais de 100 Desaparecidos

A Venezuela foi palco de uma tragédia devastadora que chocou a comunidade internacional. Após intensos tremores de terra em 24 de junho, um hotel localizado em La Guaira desabou, resultando no desaparecimento de mais de 100 venezuelanos. Essas pessoas haviam sido recentemente deportadas dos Estados Unidos e estavam hospedadas na estrutura gerenciada pelo governo, aguardando os procedimentos de retorno aos seus lares. O incidente gerou uma onda de angústia e cobranças por parte dos familiares, que buscam respostas e informações sobre seus entes queridos em meio ao caos e à falta de clareza.

O Desabamento Trágico em La Guaira

La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos terremotos duplos, tornou-se o epicentro de uma dor coletiva. No Hotel Santuario La Llanada, cerca de 100 cidadãos venezuelanos que haviam chegado de Miami foram surpreendidos pela força da natureza. O edifício, que servia como ponto de acolhimento temporário, ruiu em poucas horas após a chegada dos deportados, transformando a esperança do retorno em um pesadelo de incerteza e perda.

O Programa de Retorno e o Alojamento Compulsório

Os passageiros do voo de Miami, que transportava 146 venezuelanos – incluindo mulheres e crianças –, foram direcionados ao Hotel Santuario La Llanada. Este hotel era administrado pelo programa governamental “Grande Missão Volta à Pátria”, responsável por acolher cidadãos repatriados. A estadia era temporária: os deportados passariam por exames médicos e outros trâmites burocráticos, com a expectativa de serem liberados para suas casas no dia seguinte. Testemunhos de sobreviventes indicam que seus celulares e documentos foram recolhidos durante esses procedimentos, uma prática que mais tarde dificultaria a comunicação e identificação.

O Desafio das Buscas e a Escassez de Informações Oficiais

Dias após o desabamento, as autoridades venezuelanas ainda não apresentaram um balanço oficial de vítimas ou sobreviventes. Apenas 32 nomes foram comunicados às famílias como pessoas resgatadas com vida. Essa lacuna de dados oficiais mantém um universo de aproximadamente 100 deportados na categoria de desaparecidos, alimentando o desespero de parentes que vasculham hospitais, necrotérios e os escombros do hotel em busca de notícias.

Barreiras e Relatos Conflitantes no Local do Desastre

A situação é agravada pela dificuldade de acesso ao local do desabamento. Há relatos de que o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) bloqueou a área, impedindo a entrada de familiares e da imprensa. Um avô em busca de seu neto relatou que um funcionário teria afirmado a ausência de sobreviventes entre os destroços, uma informação que se choca com a lista de resgatados e aumenta a confusão e a angústia dos parentes.

As Vozes das Famílias: Críticas e Questionamentos Urgentes

As famílias dos deportados expressam profunda indignação e formulam críticas severas às decisões e à conduta governamental. O principal questionamento é o motivo pelo qual os repatriados foram mantidos no hotel, e não liberados imediatamente após a chegada ao país. Muitos acreditam que, se tivessem sido liberados, seus entes queridos estariam em segurança em casa quando os tremores atingiram a região.

Falta de Transparência e Obstáculos no Resgate

A retenção de celulares e documentos é apontada como um fator que dificultou a comunicação e a identificação de sobreviventes e vítimas, contribuindo para a falta de informações claras. Além disso, surgiram relatos de que o resgate inicial foi, em grande parte, realizado pelos próprios deportados, com a chegada dos primeiros socorros oficiais demorando horas. Há ainda acusações de que agentes do Sebin teriam priorizado o resgate de colegas em detrimento dos cidadãos comuns.

Restrições de Acesso à Imprensa e Família

As restrições impostas pelo Sebin não se limitaram ao acesso familiar. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP) denunciou que jornalistas também enfrentam severas limitações para cobrir as áreas de busca em La Guaira e os hospitais que recebem as vítimas dos terremotos, dificultando a transparência e a divulgação de informações cruciais para a população e os familiares.

A Posição dos Governos: Venezuela e Estados Unidos

Em face da tragédia, a “Grande Missão Volta à Pátria” do governo venezuelano utilizou as redes sociais para informar a abertura de canais de comunicação para os familiares, visando prestar algum tipo de suporte. Contudo, a clareza e a abrangência dessas informações são constantemente questionadas pelos parentes das vítimas. Até o momento, o cenário é de intensa pressão por respostas e uma necessidade urgente de transparência para amenizar a dor das famílias.

O trágico desabamento do Hotel Santuario La Llanada na Venezuela expõe não apenas a vulnerabilidade diante de desastres naturais, mas também a fragilidade dos sistemas de acolhimento e a falta de comunicação em momentos críticos. A dor das famílias dos mais de cem deportados desaparecidos ecoa por um país que busca verdades e, acima de tudo, a certeza do destino de seus entes queridos. A comunidade internacional observa atenta, esperando que os esforços de busca sejam intensificados e que a transparência prevaleça para mitigar o sofrimento de tantos.

Fonte: https://g1.globo.com

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